sábado, março 31, 2007

Reflexão

Vi-te algo pensativo a mastigar um hamburger no parque de estacionamento. Pensei que queria saber o porquê da tua tristeza. Quis ser tua amiga, quis confortar-te e dizer-te que tudo se vai resolver. Quis dizer-te que a solução está sempre em nós, quanto mais não seja se nos deixamos abater ou não. Que os problemas são frívolos. Que os problemas são efémeros. Por alguns minutos pensei em ti, no teu nome, na tua idade, quantas vezes compraste camisolas verdes. Qual o teu filme favorito, se há alguma música que te aperte o coração ao ouvi-la. Por alguns minutos pensei se és simpático, se fazes sofrer. Se seria fácil amar-te, se seria fácil odiar-te quando me partisses o coração. Por alguns minutos pensei quais seriam os teus sonhos, os teus medos. Se mentirias, se serias frio, serias distante? Por alguns minutos pensei em ti, e porque estavamos sós. Solidão por opção? A dor da solidão era mais suportável que a dor das interacções sociais? Que expectativas tinhas para ter ficado à porta. Se tinhas optado não entrar no mundo porque não suportas a dor da desilusão. Quem te desiludiu, quem desiludiste tu? Por alguns minutos pensei em ti para não pensar em mim. Por alguns minutos tinhamos tudo em comum. A tristeza, a solidão, a incapacidade de estar com os outros. Por alguns minutos fizeste-me normal. Por alguns minutos não me senti só. Por alguns minutos amei-te como nunca amei ninguém.