sexta-feira, agosto 31, 2007

Undisclosed

Tudo parecia perfeito. O dia de ontem tinha sido fantástico. Adoro passear no outono. No campo, o cheiro adocicado do mosto e as cores avermelhadas das folhas deliciam os meus olhos. As camisolas vão protestando com o frio e amaciam as pequenas carícias de Estela. Estela estava mais madura. Mais mulher. O sorriso, esse, tinha desvanecido um pouco. Talvez a distância tenha apagado o fogo que ardia entre nós. Ou talvez nos tivéssemos tornado estranhos conhecidos. Não quero saber! O que interessa é que ela estava aqui. O mosto, as folhas vermelhas das caducas, o frio seco a espreitar por baixo do cachecol. Tudo perfeito com ela. De volta à cidade, calcámos as ruas. Análise detalhada das montras. De preços. Algumas compras. Coisas supérfulas. Risos. Carícias. Beijos. Ah Cumplicidade de novo! Ao longe a lenga-lenga do vendedor de castanhas assadas. «Um cone, por favor.» Caríssimos, não há nada mais sexy e reconfortante como ver uma castanha a fumegar nos lábios de uma mulher. Como tinha dito ao início, tudo perfeito. Até evitámos o Reis. Amigo de longa data, que é deveras indiscreto. Um perfeito chato. Eu já tinha o hábito de o evitar, parece que as conversas eram sempre as mesmas. A conversa de ocasião que sinceramente já não tinha vontade de ter. E Estela percebeu. Foi solidária. Fez com que eu a olhasse com admiração, mas senti que o meu olhar não foi bem recebido. Senti culpa. Minha. Dela. Não interessa, prefiro evitar pessoas que não acrescentam nada à minha vida. Sou assim. «Passamos por casa e depois vamos jantar?»
...
A caminho do restaurante senti a distância a aumentar. Os sorrisos, as carícias, a cumplicidade estavam agora distantes. Entre nós, as notas musicais dançavam e quebravam aquele silêncio que tanto sentido faria mais tarde. À chegada, o restaurante parecia uma salvação. Um porto de abrigo, lugar onde incendiaria de novo o coração de Estela. Tudo perfeito. «Boa noite!» Tanto o evitei que o haveria de encontrar no restaurante. Exactamente! Sentado com outro homem estava o Reis. Aquele homenzinho insignificante, um verdadeiro necrófago de mexericos. Por momentos ri-me de mim próprio, achei-me patético. Desmanchei-me em cumprimentos cordiais. Reis parecia que iria iniciar mais uma das conversas de ocasião ou mesmo um convite para me juntar aos dois convivas mas...«Vim jantar com o Sr. Borges e queria te dizer que a tua namorada já não é Sra. Costa mas é Sra. Borges!» Estela estremeceu. Senti aquela onda de choque produzida por uma explosão que só vimos em testes nucleares. «Sr. Borges, muito prazer e bom apetite! Reis, é sempre um prazer! A fome impeliu-me para a minha mesa. No conforto da mesa, perfumada com as flores que tinha encomendado, a ementa ordenava que escolhesse. Pousei-a, já não a conseguia ouvir. «Estela, parece que temos que falar.»

terça-feira, julho 03, 2007

Portugal dos Pequenitos...

Juventus foi das primeiras.






Equipamento principal do Palermo.


Ninguém se importou com o rosa deste!

Mas estes!!! São gays e abichanados...



Somos mesmo pequeninos...

quinta-feira, junho 28, 2007

Dave Mathews Band - Break Free

She gives a wicked ride
Yes she does
She says “I make you wanna climb right out yourself”
Break free
But have to give up your life
But I was thinking
I love to get inside you
I drink your poison if you fill the cup
You make me crazy baby, don’t let up
And if I’m fallin’
I don’t want to stop
I give up everything to have your love
I drink your poison if you fill the cup
I drink your tears but don’t you
cry cry, cry cry
She is a wicked heart
Yes she is
She goes down so hard,She might never come back
She’s gonna break free
She loves to laugh
But I was thinking’
I’d love to get some of that, girl
I drink your poison if you fill the cup
You make me crazy baby, don’t let up
And if I’m fallin’
I don’t want to stop
I give up everything to have your love
I drink your poison if you fill the cup
I drink your tears but don’t you
cry cry, cry cry
She’s gonna break free
She’s gonna break free
That’s right
Gonna break free
I drink your poison if you fill the cup
You make me crazy baby, don’t let up
And if I’m fallin’
I don’t want to stop
I give up everything to have your love
I drink your poison if you fill the cup
I drink your tears but don’t you
cry cry, cry cry
The way she does me
The way she hates to love me
You fill the cup, I drink you up, baby
I drink your poison if you fill the cup
You make me crazy baby, don’t let up
And if I’m fallin’
I don’t want to stop
I give up everything to have your love
I drink your poison if you fill the cup
I drink your tears, yea
She’s on the side, missing
And all that I could go
The pot of gold at the end of the rainbow, baby
She gonna lock eyes with me
Flies away off of me
Oh ya

segunda-feira, junho 25, 2007

Dave Matthews Band

Idea Of You

I saw you walk
You know you say
Like a ghost you know to me babe
Combat boots make you look slim
Oh now I see you walking home from school
You got so lost on your way
You got me feeling like a kid
But this man is no kid you know
So I'm not gonna pull your hair

I fall so hard inside the idea of you
That's why with you can't say what I mean
Wanna stay but I think
I'm gettin outta here
I fall so hard inside the idea of you

Aw there you go again
I know your shy
And I see you walk past with your friends
And I saw you laugh and whisper
And I'll talk, I want you here
But you turn back and smile at me
Aw you got me feeling okay with that
So I'm not gonna pull your hair

I fall so hard inside the idea of you
That's why with you can't say what I mean
Wanna stay but I think
God get me outta here
I fall so hard inside the idea of you

Bus stop dreamer
The late night
You with me
There's something moving
You cant stop, saying that you love me
You love me, you love me
Enough, enough you make me shy
But baby, I wake up
Aw, aw, yeah

I saw you

I fall so hard inside the idea of you
That's why with you I can't say what I mean
Wanna stay but I think I'm gettin outta here
I fall so hard inside the idea of you
Oh it's so, go on baby say it
Yeah, Yeah, Yeah, Yeah

We're laughin

To you Moranga...

domingo, junho 24, 2007

Fica Prá Próxima Sónia!!!!!


Ainda sorrias...



Pesqueiro muito pensaste tu!





No final... Vencedores outra vez!

terça-feira, junho 05, 2007

Aqui Fica Bem O Sol Negro!

Sentia-me no topo do mundo, a confiança, essa nunca tinha estado tão alta. Nem mesmo quando mantive um relacionamento com a "Miss Parker". Devem-se lembrar dela, cabelo preto, roupas de cabedal, andava sempre atrás de um tipo chamado "Jarod". Enfim outras histórias. O que interessa é o dia em conheci a Keira. Esse dia foi diferente de todos os outros. Começou com a entrevista para a NASA, para astronauta. Não fiquei, parece que não reagia às bananas. Não há problema, ao que parece agora quem vai para o espaço são apenas milionários. Indivíduos bem qualificados para expansão de negócios extra-planeta. Aliás ia jurar que tinha visto o Berardo, até tentei-lhe falar de arte mas só me respondeu que tinha conseguido parar uma OPA. Bom para ti, Berardo! Uma vez também consegui parar uma bola mas custou-me o mindinho, ainda hoje não está direito. Visto estava que o espaço não era para mim, decidi ir à loja dos sóis. Comprar um sol bem quentinho e de preferência assim pró azulado. Como aqueles que os pintores de aerossóis pintavam na Ferreira Borges. Hoje em dia já não param por lá, nem eles nem os equatorianos que davam belos concertos na Praça do Comércio. Keira lá andava a mostrar os sóis a um casal, ora vermelhos ora verdes, mas nenhum parecia convencer o casal. Eu, por momentos, fiquei a admirar a Keira. Fiquei a ver como ela falava sem erros ortográficos. Tudo bem estruturado. «Sóis económicos de 60 watts é que está na moda agora.» Mas o casal não se convenceu, pelo menos até que o instalaram em casa. «Maravilha de Teck.» pensaram. O sol negro, no canto da loja, chamou-me. Tive algum tempo a vê-lo. Magnifica peça de artesão, alta qualidade islandesa. «O que é que vou vender a este senhor?» Keira quebrou o transe que me prendia aquele sol negro. «Queria este sol negro mas maior…» Keira sorriu em tons de vermelho, confirmando a a existência do mesmo em stock. Keira deslizava pela loja com sabor a morango em busca do sol negro tamanho maxi. O corpo curvilíneo ultrapassava com desembaraço os sóis em orbita uns dos outros. Keira sorriu com um talão. Compra assegurada, com assistência de 2 anos como manda a lei. Keira iluminava mais que todos os sóis juntos. Depois de um «Obrigado e Boa Tarde!» regressei ao lar. Coloquei o sol negro a orbitar perto da porta da sala e pensei «Aqui fica bem o sol negro». Mas depois de contemplar a luz emanada pelo sol negro concluí «Aqui ficava bem a Keira!».

sábado, março 31, 2007

Reflexão

Vi-te algo pensativo a mastigar um hamburger no parque de estacionamento. Pensei que queria saber o porquê da tua tristeza. Quis ser tua amiga, quis confortar-te e dizer-te que tudo se vai resolver. Quis dizer-te que a solução está sempre em nós, quanto mais não seja se nos deixamos abater ou não. Que os problemas são frívolos. Que os problemas são efémeros. Por alguns minutos pensei em ti, no teu nome, na tua idade, quantas vezes compraste camisolas verdes. Qual o teu filme favorito, se há alguma música que te aperte o coração ao ouvi-la. Por alguns minutos pensei se és simpático, se fazes sofrer. Se seria fácil amar-te, se seria fácil odiar-te quando me partisses o coração. Por alguns minutos pensei quais seriam os teus sonhos, os teus medos. Se mentirias, se serias frio, serias distante? Por alguns minutos pensei em ti, e porque estavamos sós. Solidão por opção? A dor da solidão era mais suportável que a dor das interacções sociais? Que expectativas tinhas para ter ficado à porta. Se tinhas optado não entrar no mundo porque não suportas a dor da desilusão. Quem te desiludiu, quem desiludiste tu? Por alguns minutos pensei em ti para não pensar em mim. Por alguns minutos tinhamos tudo em comum. A tristeza, a solidão, a incapacidade de estar com os outros. Por alguns minutos fizeste-me normal. Por alguns minutos não me senti só. Por alguns minutos amei-te como nunca amei ninguém.